Sinaptek

Olhar sem foco.

Sorriso irônico.

Ódio aflorado.

Peito estufado.

Dentes cerrados.

Um templo caindo aos pedaços.

Tudo de belo já foi deformado.

Uma comitiva de palhaços que passou levando todos os risos pra longe.

Doente. Cansado. Cansado de ficar doente. Doente de cansaço.

Bipolar. De dia uma coisa, de noite, a mesma. Por fora uma coisa, por dentro, o avesso.

Sem risos sinceros. Mas os falsos são abundantes.

Deixou a auto-piedade tomar conta.

Já passa do tempo de uma reforma.

Lembrou-se de ter orgulho de si mesmo.

Fachada recuperada.

Respirou fundo.

Rachaduras consertadas.

A música o ensurdece…

O riso o atinge como uma flechada.

Olhar sem foco.

Sorriso irônico.

Ódio canalizado.

Peito estufado.

Dentes cerrados.

“Abra os olhos”. Após minutos – ou seriam anos? – alheio ao todo. Desperta de sua indiferença.

Recobra a racionalidade. O que foi isso? Eu, hein.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama coração.

Fernando Pessoa Vs Cazuza e Frejat

Eu sou poeta e não aprendi a amar.


“Sal, cal, e alho
Caiam no teu maldito caralho. Amém.
O fogo de Sodoma e de Gomorra
em cinza te reduzam essa porra. Amém.
Tudo em fogo arda,
Tu, teus filhos, e o Capitão da Guarda.”

Gregório de Matos para o governador Antônio Luís.
Foto: Tyler Durden (Brad Pitt), personagem de “Clube da Luta”, dirigido por David Fincher.

“Sal, cal, e alho

Caiam no teu maldito caralho. Amém.

O fogo de Sodoma e de Gomorra

em cinza te reduzam essa porra. Amém.

Tudo em fogo arda,

Tu, teus filhos, e o Capitão da Guarda.”

Gregório de Matos para o governador Antônio Luís.

Foto: Tyler Durden (Brad Pitt), personagem de “Clube da Luta”, dirigido por David Fincher.


“Havia também um estudante de direito muito talentoso, capaz de desfiar o código penal de cor, mas que se saturara das leis e voltara-se para a filosofia; e que, ao ter determinado de modo irrefutável a futilidade do esforço humano, tomou da pena para escrever seu testamento filosófico, cuja conclusão era que a felicidade não passava de um sonho e a vida, de uma cadeia de sofrimentos, e deu um tiro na cabeça bem em cima desse testamento filosófico, de modo que o sangue, ao jorrar da ferida, colocou vários pontos finais no que ele havia escrito”.

Ivan Klíma in “Amor e Lixo”.
Quadro “Suicídio” de Édouard Manet.

“Havia também um estudante de direito muito talentoso, capaz de desfiar o código penal de cor, mas que se saturara das leis e voltara-se para a filosofia; e que, ao ter determinado de modo irrefutável a futilidade do esforço humano, tomou da pena para escrever seu testamento filosófico, cuja conclusão era que a felicidade não passava de um sonho e a vida, de uma cadeia de sofrimentos, e deu um tiro na cabeça bem em cima desse testamento filosófico, de modo que o sangue, ao jorrar da ferida, colocou vários pontos finais no que ele havia escrito”.

Ivan Klíma in “Amor e Lixo”.

Quadro “Suicídio” de Édouard Manet.

O amor é loucura, balançando do êxtase para o desespero num segundo insano.
Bernard Cornwell, “O Rei do Inverno” - volume 1 da trilogia “As Crônicas de Arthur”.


“Toda revolução, pequena ou grande, tem sua falha… E ela se resume a uma palavra… pessoas. Não importa a dimensão da ideia que apóiem. As pessoas são pequenas, fracas, ordinárias e assustadas. São as pessoas que matam todas as revoluções”.

Spider Jerusalem, personagem da HQ “Transmetropolitan”, escrita por Warren Ellis com arte de Darick Robertson. 
Quadro “A Liberdade Guiando o Povo” de Eugène Delacroix.

“Toda revolução, pequena ou grande, tem sua falha… E ela se resume a uma palavra… pessoas. Não importa a dimensão da ideia que apóiem. As pessoas são pequenas, fracas, ordinárias e assustadas. São as pessoas que matam todas as revoluções”.

Spider Jerusalem, personagem da HQ “Transmetropolitan”, escrita por Warren Ellis com arte de Darick Robertson

Quadro “A Liberdade Guiando o Povo” de Eugène Delacroix.

O amor tem poder sobre o próprio poder.
Bernard Cornwell, “A Canção da Espada” - volume 4 da série “Crônicas Saxônicas”.


“O homem acha que está construindo o paraíso ao inventar automóveis, aviões, plásticos, usinas nucleares ou túneis submarinos, enquanto na realidade está se dirigindo em velocidade cada vez maior para o próprio fim, na realidade está inventando e provocando o Apocalipse. A humanidade envelheceu mas não ficou sábia, ou então passou da idade da sabedoria e entrou na idade da senilidade.”

Ivan Klíma in “Amor e Lixo”.
Imagem: Stencil de Banksy pelo Santa’s Ghetto, em Belém, na Cisjordânia.

“O homem acha que está construindo o paraíso ao inventar automóveis, aviões, plásticos, usinas nucleares ou túneis submarinos, enquanto na realidade está se dirigindo em velocidade cada vez maior para o próprio fim, na realidade está inventando e provocando o Apocalipse. A humanidade envelheceu mas não ficou sábia, ou então passou da idade da sabedoria e entrou na idade da senilidade.”

Ivan Klíma in “Amor e Lixo”.

Imagem: Stencil de Banksy pelo Santa’s Ghetto, em Belém, na Cisjordânia.