Olhar sem foco.
Sorriso irônico.
Ódio aflorado.
Peito estufado.
Dentes cerrados.
Um templo caindo aos pedaços.
Tudo de belo já foi deformado.
Uma comitiva de palhaços que passou levando todos os risos pra longe.
Doente. Cansado. Cansado de ficar doente. Doente de cansaço.
Bipolar. De dia uma coisa, de noite, a mesma. Por fora uma coisa, por dentro, o avesso.
Sem risos sinceros. Mas os falsos são abundantes.
Deixou a auto-piedade tomar conta.
Já passa do tempo de uma reforma.
Lembrou-se de ter orgulho de si mesmo.
Fachada recuperada.
Respirou fundo.
Rachaduras consertadas.
A música o ensurdece…
O riso o atinge como uma flechada.
Olhar sem foco.
Sorriso irônico.
Ódio canalizado.
Peito estufado.
Dentes cerrados.
“Abra os olhos”. Após minutos – ou seriam anos? – alheio ao todo. Desperta de sua indiferença.
Recobra a racionalidade. O que foi isso? Eu, hein.


